Mais um

Levei bastante tempo pra perceber que crescer envolve deixar coisas para trás. Muitas coisas. Pessoas. Sentimentos. Crescer vem com uma parte que se chama ‘dizer tchau, até logo, até nunca mais’. Nunca gostei de despedidas, oras. E agora?

Ontem foi mais um desses dias em que a gente sabe que algo acabou. Quando a gente alonga cada momento porque tem a certeza que não vai acontecer mais. Eu achava que tudo o que eu tinha até ontem era parte de mim e isso permaneceria. Não é. Tudo isso fez muito parte de mim, mas não faz mais. Todas essas coisas que a gente acha que nos pertence está sujeita a sumir. Mesmo sem querer.

Ontem, também, pude observar que todos esse fatos, pessoas, passagens inusitadas e tudo o que a gente já viveu é apenas mais um tijolinho da nossa personalidade. Ontem vi pessoas fazendo coisas que eu não faria. Pessoas rindo e vivendo o melhor daquele momento. Vi muito do que não estava no meu círculo precioso da zona de conforto. Outro tijolinho.

Como sempre, acreditei que era capaz de suportar a espera. Achei que abrir a caixa de lembranças e trazer coisas de lá me manteria como antes. Trouxe abraços de muito longe, saudades que machucam e sorrisos que fizeram muita falta. Parece que olhar o que já foi feito é mais fácil do que tentar construir algo novo. As paredes cheias de recordações. Os cadernos cheios de histórias. Insisti em trazer de volta o capitulo não finalizado. De novo me vi obrigada a sair sem dar tchau. Mais um.

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