Dois mil dias

Era como se fosse um dia normal, com a diferença que eles sabiam do peso do tempo até aquele momento. Quatro da tarde, outono, praia. O coração batia acelerado. Os passos eram lentos. Assim que se viram novamente milhões de memórias passaram em menos de um segundo. A figura daquele moço esperando trazia bons sentimentos. A garrafa de água na mão era pra disfarçar o nervosismo que ela sentia.

Ele estava diferente. Mais alto. Mais bonito. Mais velho. O contato visual ainda causava medo e o físico, arrepios. A caminhada e a conversa tinham a única função de tentar preencher o espaço desconhecido de dois mil dias desde a última vez que se tocaram. O passado seguia na sombra projetada pelo sol.

Ela se deu conta de que nunca o conheceu como queria, mas, que, naquele momento isso não importava mais porque agora ambos eram pessoas diferentes. Parecia um encontro inusitado. Utópico. Mas estava acontecendo. Pôr-do-sol, risos. Ele, então, a deu um motivo para tudo aquilo. O beijo tinha eletricidade, tinha força, assim como suas mãos em seu corpo. Tinha estranheza, saudade, paixão. Paixão daquelas que não se admite.

Eles voltaram a ser o que haviam perdido sem razão. O toque, a fala, as pessoas ao redor, o olhar. Olhar de quem esperou muito, se culpou muito, imaginou muito. Mãos entrelaçadas, areia, abraço. Nada parecia fazer sentido. As certezas se dissolveram. As dúvidas tomaram espaço. No final, o caminho ainda era diferente, como aqueles que se cruzam apenas para trazer um sorriso. Caminhos que seguem no dia seguinte da mesma forma que eram: sem saber o que será dos próximos dois mil dias.


Imagem destacada: Jay Mantri
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