Vinte e quatro

Sempre fui o tipo de garota que romantiza cada pequena situação da vida. Todas as vezes que me interessava por alguém eu imaginava nossa vida inteira cheia de atividades para os próximos sessenta e cinco anos, nossa casa, a cara dos nossos três filhos e o nome do nosso cachorro. Sempre foi assim, não importava quem fosse: o novo menino da minha sala, o cara na loja de sapatos, o moço que acabou de entrar no ônibus ou o indivíduo lá do aplicativo.

Em alguns momentos me questionei se não era loucura todo esse devaneio amoroso. Cheguei a conclusão que era sim, mas nada que se dispersasse em páginas de cadernos com cartas para esses senhores que nunca mais verei na minha vida. Passei a deixar os romances nos papéis amontoados dentro da agenda e atrevi a apaixonar-me sem dores no coração.

A melhor parte é que quase sempre é divertido – às vezes rola um sofrimento – e no fim eu não me envolvo de verdade – tirando as vezes que me envolvo de verdade. Outras vezes eu nem lembro sobre o que eu estava pensando e sigo a vida.

Nesse caminho turbulento de amar e não ser correspondida, de salvar várias fotos e fazer mapa astral de desconhecidos aprendi que muitas dessas coisas não importam de verdade. O gostar está muito mais além que um roteiro de filme. As coisas só acontecem. Na maioria das vezes todos os prints, conversas, fotos e número de telefone vão parar na lixeira porque a vida continua e não há espaço para acúmulo de romances na memória do celular.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s