Chuvas

Parecia que não chovia há anos. Parecia que todas a água que caía só viria daqui de dentro. Por um bom tempo eu acreditei que não conseguiria sair daqui a menos que lá fora estivesse igual. Agora chove tanto lá fora quanto aqui dentro. Sorri ao sentir que não chovia sozinha. A brisa fresca, o silêncio da rua, o barulho das gotas no telhado. A música mais bonita para quem já não espera mais nada.

Chovemos igual. Seguimos chovendo. Chove porque uma hora vai parar. Uma hora vai amanhecer. Uma hora a chuva não fará mais sentido. Mas agora chove muito e tudo o que eu quero é sentir a chuva. Quero nublar, quero espantar os desavisados, quero ocupar todos os cantos. Eu vou inundar e me me afogar mais um dia. Virar oceano. Rasgar o céu e trovejar. Uns abrirão o guarda-chuva, outros aceitarão se molhar.

Vou chover até aprender a parar de ser tempestade onde só gostam de garoa. Hoje quero ser todo o sentimento que me couber porque amanhã serei arco-íris. Só amanhã, porque hoje chove. Amanhã, talvez

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s